terça-feira, 11 de agosto de 2009

Arteculando

Vou ser sincero com vocês: Fui muito relaxado esses dias e não pensei direito sobre a coluna dessa semana. Amigos leitores me desculpem!
Hoje, caminhando, decidi o assunto. Planejei os detalhes e organizei minha linha de raciocínio. Sentei, liguei o computador, acendi um cigarro, abri o nosso blog e li. Li, li, li... Uma das colunas que eu mais gosto, ‘Conversa fiada’, trouxe a tona um papo muito sério, um assunto que ainda é muito delicado pra mim e deve ser por isso que, lendo, não consegui segurar minhas lágrimas, na hora joguei tudo o que pensava pro alto. Abstrai. Mente quem diz que ‘Deus escreve certo por linhas tortas’, tudo o que Deus faz é perfeito: ‘Escreve certo por linhas certas’, nós que não sabemos ler o alfabeto d’Ele.
Ao invés de admirar o texto, comentá-lo e, emocionando-me, secar a indesejada lágrima, conter-me..., levei minhas lembranças há alguns meses. Perdi minha avó. A pessoa que eu mais amava, mais até do que a mim mesmo, não aguentei. Chorei. Não só de tristeza por minha amiga estar sofrendo, mas por identificação. Chorei tanto que Matheus precisou me lembrar de uma coisa fundamental: “Rafael, RESPIRA!”
Sei o quanto é difícil. Até hoje choro, é normal.
Sua foto ainda está na minha carteira, dentro da minha identidade, é a minha santa, minha protetora.
Ainda não consegui tirar seu nome do Orkut na parte: ‘cinco coisas sem as quais não consigo viver’...
Choro muito mais toda vez que passo pela sala e vejo suas coisas, no quarto seus perfumes e principalmente quando fecho os olhos e tento lembrar sua voz.
Lívia, hoje dedico minha coluna a você, é também uma homenagem a seu avô e a minha avó. Não acreditem quando te disserem que a dor vai passar, lorota. O que acontece é que nos acostumamos com ela e aos poucos não nos importamos mais. Ou melhor, fingimos não nos importar, damos lugar apenas à saudade.
Daqui a quatro semanas fará um ano que ela se foi. Sim, passou muito rápido, pelo menos pra mim e uma das coisas que me ajudou a ‘superar’, se assim minhas lágrimas e soluços me permitem chamar, foi um texto que escrevi.
Na verdade tenho surtos de inspiração quando estou muito triste, foi esse o caso.
Estava esperando seu aniversário de partida para postá-lo aqui mas, se me ajudou, poderá ajudá-la também.

COMO?
“Às vezes me pego pensando,
Lembrando, cantando, chorando,
Sentindo a falta que você faz.
Às vezes me pego sorrindo,
Recordando de momentos vividos,
Tentando imaginar que voltará.
Sei que não aqui, nem agora nem assim,
Mais dias ou menos dias e estaremos juntos enfim,
Numa grande festa como gostava.
Porque da injusta justiça?
Como fico? Como vivo?
Quem vai me esperar, quando tarde da noite eu chegar?
Como vai ser o Natal sem rabanada, bolinhos e sem você?
Como posso ser, se sou parte de você?
Às vezes me pego pensando quando não tem nada pra fazer,
E lembro dos domingos, deitado no teu colo vendo TV...
Como cozinhava e a casa arrumava,
E as palavras cruzadas que ficaram em branco.
Quem fará o chá de ressaca?
E quem rezará pedindo minha proteção?
E a promessa que só partiria depois de segurar um bisneto no colo?
Como fico? Como vivo?
Minha colcha de retalhos, quem vai terminar?
A bronca da nota baixa, quem vai me dar?
Mas sei que mais dias ou menos dias estaremos juntos enfim.
Como fico? Como vivo? Consigo?”
(Rafael Fiuzza - 17/11/08)
Estamos contigo. Conseguirá!

Espero que tenham gostado, bjs e téterça.

6 comentários:

Lívia disse...

que orgulho saber que a minha coluna é uma de suas preferidas. =)
adorei o teu post!! agradeço de coração a dedicação e a sinceridade. o texto está lindo e me emocionou bastante...
vocês estão sendo ótimos! obrigada pela força.

Gaio! disse...

Eu já havia me emocionado com a coluna da Lívia, nem tive coragem de comentar, mas depois dessa de hoje a emoção foi dobrada. Os dois posts me sensibilizaram muito. É muito difícil mesmo. E foi lindo isso de 'tudo o que Deus faz é perfeito: ‘Escreve certo por linhas certas’, nós que não sabemos ler o alfabeto d’Ele.' concordo contigo, Rafa.

May Guimarães disse...

Amigo vc conseguiu me fazer chorar, logo eu, como sabe!Bom, ao ler o seu texto me fez relembrar particularidades que eu, vc , "nós", sabemos que jah passei. Lindo,sensível...

Anônimo disse...

Bom,sempre leio seus post,sei que sao lindos mais esse senti uma nescessidade enorme de comentar você com toda certeza do mundo se superou e se seu intuito era emocionar os leitores,Parabéns você conseguiu.

Matheus disse...

Se você esquecesse de respirar teríamos um a menos e a proposta do blog perderia o sentido.. rs..
Lindo texto, lindo sentimento, lindo pensamento.
Talvez o tempo realmente não apaga a dor, mas a torna suportável. O triste da perda é aprender a conviver com o esquecimento. Como será a voz? Os olhos? O sorriso?
O tempo apaga a dor, mas junto leva algumas lembranças.
A sorte é que o amor fica gravado, encravado na pele. E ele nada e nem ninguém apaga!

raquel disse...

lindo post...
lindo poema...
enfim, linda a homenagem à ela

parabens !
=)

bjos Raquel Venerabile