quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Falando Sério

O malfadado trote universitário ou “a caloura da UFF que quase foi currada pelos delinqüentes travestidos de alunos”

O que aconteceu ninguém sabe, mas todo mundo acredita e especula. Na falta do que falar, a mídia inteira caiu em cima. Foi SBT, Record, Globo, CBN, TV Brasil... Não se ouvia e nem se falava em outra coisa além do malfadado trote universitário realizado na Faculdade de Direito da UFF. Já se culparam os pais, os reitores, os alunos e até o papa. Afinal, alguma coisa precisa ser feita em nome da moral e dos bons costumes – leia-se proibir todo e qualquer trote.
Os fatos são: uma aluna ingressante no curso de Direito da UFF denunciou ter sofrido assédio sexual por parte dos veteranos. Segundo a versão dada pela imprensa, as feias teriam sido separadas das bonitas. As belas foram levadas para uma sala e coagidas a beijarem os veteranos ou praticarem sexo oral nos mesmos. Quem se recusava levava ovo e farinha na cabeça. É oito o número de rapazes acusados do fato.
A especulação é: é tudo verdade. Mas, espera aí. Segundo a constituição não é todo mundo inocente até que se prove o contrário? Nessa história a população já taxou como os culpados os malvados veteranos que abusaram do poder para abusar das indefesas calouras. Sei que o momento não exige ironia. A acusação é séria e precisa ser apurada com todo o rigor. Mas até o momento não passa de acusação. E só.
Da mesma forma que a caloura denunciou, diversos outros calouros e alunos dizem que não foi bem assim. Quem fala a verdade? Cabe a UFF, como, aliás, foi feito, abrir a sindicância para apurar e punir os culpados – se houverem. Já que não há uma denúncia nas autoridades policiais, o máximo de rigor encontrado será a expulsão dos alunos. Entendo o medo da estudante em denunciar, mas para quem não quer exposição ter uma nota divulgada em uma coluna de jornal... Valeria mais ir a delegacia.
Agora, demoniza-se todo e qualquer trote. Na opinião dos leitores os alunos são taxados de criminosos, afinal, obrigar os alunos a recolherem R$250 é crime de extorsão. Como aluno da UFF e veterano de Jornalismo afirmo: nem todos os cursos agem iguais. É uma questão, não de proibir, mas de conscientizar os veteranos que o trote é um momento de recepção e entrosamento. Pintar, é tal qual em muitas tribos brasileiras, um rito de passagem. Pedir dinheiro na rua não é pedir esmola. É arrecadar para uma coisa que será feita para eles: a chopada. O marco inicial da vida acadêmica.
Talvez o modelo de trote utilizado esteja ultrapassado e a única saída será o trote cultural. Mas sou muito mais a favor de uma mescla. Que os calouros sejam pintados, mas levem o comprovante de doação de sangue ou um quilo de alimento para ser doado. Casos de violência, como o citado no início do post, não podem ser tidos como totalidade. Agora eu pergunto: qual veículo da imprensa foi cobrir alunos doando sangue? Ou então os estudantes que por uma manhã brincaram com alunos das escolas públicas?
Infelizmente a mídia gosta de barulho. E o trote continuará em pauta – de maneira errada – até que a policia invada algum morro ou outro deputado mande uma Vossa Excelência qualquer para aquele lugar.

2 comentários:

Rafa Fiuzza disse...

Fala sério! Tenho acompanhado os trotres, tenho amigos envolvidos e todos negam a ciência do fato... Claro que pode ter sido super abafado mas, como disse Matheus, inocentes até que se prove ao contrário!

Lívia disse...

acho que se isso tivesse acontecido de fato, mais calouras teriam denunciado... mas, vai saber..