segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Conversa Fiada

"Vamos viver tudo que há pra viver"



“Eu nunca tinha ido à Nova York. Adorei. E lembro que eu estava sentada sozinha na ala americana do Metropolitan. Eu estava na sala dos pintores da escola do vale do rio Hudson. De repente, tive a sensação de estar plenamente consciente. Finalmente, consciente da minha vida. Como se eu estivesse exatamente onde deveria estar. E outro dia, eu estava sentada no carro esperando Paige (sua filha) na escola. Ela veio correndo, foi contando sobre o dia dela e pulou no carro. E eu tive aquela sensação de novo. Tipo, é isso aí. É exatamente onde eu devo estar. Aqui, com ela. Eu acho que só queria ter aproveitado mais as coisas. Eu quero o máximo de momentos assim que eu possa ter. Sabe, quero voltar a Nova York e sentar sozinha no Metropolitan. Talvez, mais do que tudo, eu queria ser o tipo de pessoa que come uma barra de chocolate bem aqui no meio do mercado.”
(Trecho extraído de diálogo do filme “Eu e as mulheres”)

Foi durante a comemoração do aniversário de um amigo, num barzinho aqui perto de casa, dia desses, que tive esse estalo. Essa sensação de estar exatamente onde deveria. Não, eu não bebi nada nesse dia. E aí, me coloquei a pensar no porquê dessa sensação.
Não foi algo que eu houvesse planejado para mim, não foi algo que eu houvesse imaginado que aconteceria, apenas aconteceu. Sem maiores explicações ou justificativas. Sem nenhum motivo aparente.
Eu estava sentada à mesa, já era tarde e muitas pessoas já haviam ido embora. Lembro-me de ter olhado para o aniversariante e ele ria, por qualquer motivo que desconheço. Foi aí que me senti plena.
Na hora pensei que pudesse ser pelo muito amor que sinto por ele e por outras pessoas que se encontravam lá ainda. Fiquei tentando lembrar de outras vezes em que me senti da mesma forma.

Quando eu era mais nova, gostava de fazer planos para o futuro. Sempre quis ser mais velha. Ainda pequena, sonhava com o dia em que, assim como meu irmão, seria grande o bastante para misturar letras e números nos meus cadernos da escola.
Um pouco mais velha, desejava entrar logo na faculdade e ter idade suficiente pra sair pra onde eu quisesse, como gente grande.
Depois, ainda, já mais recentemente, me imaginava lá com os meus vinte e poucos anos e eu era tão boba! Achava que a vida seria fácil; que já teria minha independência – econômica e emocional -; que já estaria trabalhando e teria muito sucesso. Ah, se assim fosse!

Hoje eu penso em muitas coisas que queria ter feito e deixei de fazer. Penso que, talvez, se tivesse me permitido mais, teria experimentado mais momentos de plenitude como este.
Hoje, eu peço licença a Gregório Duvivier, e digo também que “a partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora”.

Hoje – e amanhã “e depois e depois e depois de amanhã” – eu vou me permitir.



Música da semana --> Tempos modernos - Lulu Santos



P.S.: Eu sei que a coluna de arte é a do Rafa, mas, pra quem estiver a fim de um bom filme, fica a dica.

2 comentários:

May Guimarães disse...

"Vamos nos permitir" realmente a vida passa tão depressa...e a gente fica imaginando por que não fiz diferente? ou sonha com o q ainda vai fazer e esquece do presente...para a maioria das pessoas soh existe passado e futuro...o presente ainda eh algo a ser lembrado ou ainda eh imaginario...então, vamos viver o aqui e agora!!!

rafael disse...

Se o aniversariante for eu, te dou um doce. Um não, uma porção!
hehehe
TE AMO